Poesia & Cia


Amor cibernético

(Regis Marques)

01/04/2004

 

Na noite mais longa da minha vida "Cada minuto é muito tempo sem você”. A luz acesa em meu quarto não me deixa dormir. Ou, talvez, uma luz tenha se apagado dentro de mim e por isso não já consigo dormir... Porque isso foi acontecer comigo? Músicas de saudade, paixão e êxtase se multiplicam na minha mente. Confundindo-me, me fazendo sofrer. Por que essa maldita lágrima teima em rolar em meu rosto?

Porque não consigo agasalhar minha dor, fingir, como sempre fiz?...Meu Deus!, o que é isso? Como posso ser tão frágil agora?...Como posso ter deixado esse sentimento tomar conta de mim, subjugando-me, fazendo de mim escravo de um sonho distante?...

Não te conheço. Nunca te vi. E, no entanto, uma névoa densa, irreal, permeia minha noite, me domina, criando uma imagem de ti. Tu és apenas um texto na madrugada... e o pretexto da minha insônia. Mas, como tu és linda na minha memória virtual! Como posso amar uma miragem? Eu só queria aquela noite de tesão...Como me deixei seduzir?

Êxtase! Só queria êxtase!

E aquela musiqueta idiota martela minha cabeça, como um aríete de pedra sobre uma parede de cristal. E repete, repete, repete, sempre, sempre...Interminável... "E agora? Que faço eu da vida sem você?” Música maldita. Espada cravada no meu peito... Hino da minha saudade...Da minha solidão...Da minha madrugada vazia.

Sei que não temos futuro. Sei que meu caminho vai ser a imensidão das noites... E eu, imerso em saudade, num anti-clímax cibernético, usando dedos e imaginação, em busca de um amor que não nunca virá...Deitando, talvez, em outros braços virtuais, sem nunca ter conhecido os teus...Mas com a certeza una e indivisível, que foi neles, nos seus braços, nos teus beijos, no teu corpo imaginário que eu fui feliz de verdade.

Uma felicidade virtual? Talvez...Mas um dia eu poderei dizer que eu tentei feliz. Ficarei tentando inutilmente esconder minha tristeza e a lágrima teimosa. Tentando esquecer a triste música da minha vida... repetida insanamente, freneticamente, ciberneticamente: “E AGORA? QUE FAÇO EU DA VIDA SEM VOCÊ?”

 



 Escrito por Regis Marques às 01h21 [] [envie esta mensagem]




[ ver mensagens anteriores ]
 


02/05/2004 a 08/05/2004


 
 




UOL
UOL SITES
 
 

Dê uma nota para meu blog